Astrônomos concluem o maior mapa 3D do universo já feito
O Dark Energy Spectroscopic Instrument concluiu seu levantamento de cinco anos antes do prazo, mapeando mais de 47 milhões de galáxias e quasares para construir o maior mapa 3D de alta resolução do cosmos até hoje.
CiênciaEquipe Editorial GNGV5 min leituraRevisado em 28 de setembro de 2026
Uma equipe internacional de astrônomos concluiu um feito extraordinário de cartografia cósmica: o maior mapa tridimensional de alta resolução do universo já montado. Anunciado no fim de abril de 2026, o feito coroa o levantamento de cinco anos do Dark Energy Spectroscopic Instrument, ou DESI, que mapeou mais de 47 milhões de galáxias e quasares, além de cerca de 20 milhões de estrelas próximas, muito mais do que o projeto esperava registrar inicialmente.
Montado em um telescópio no Arizona, o DESI funciona captando a luz de milhares de objetos distantes de uma só vez e medindo a que distância cada um se encontra. Costuradas, essas medições formam um mapa vasto e navegável no qual as posições das galáxias traçam a arquitetura do cosmos ao longo de bilhões de anos-luz. O levantamento terminou antes do prazo, um mérito da eficiência com que o instrumento operou noite após noite.
O mapa é muito mais do que um belo catálogo. Ao acompanhar como as galáxias estão dispostas e como esse padrão mudou ao longo do tempo cósmico, os cientistas esperam determinar o comportamento da energia escura, a força misteriosa que impulsiona a expansão acelerada do universo. Indícios iniciais instigantes dos primeiros anos do DESI sugeriram que a energia escura pode não ser perfeitamente constante, podendo estar evoluindo, uma possibilidade que reformularia nossa compreensão do cosmos.
O projeto é liderado pelo Lawrence Berkeley National Laboratory, do Departamento de Energia dos EUA, e reúne o trabalho de mais de 900 pesquisadores, incluindo cerca de 300 doutorandos, de mais de 70 instituições em todo o mundo. Os cientistas alertam que os principais resultados sobre a energia escura, a partir do conjunto completo de dados, ainda estão sendo analisados e são esperados para 2027. Mesmo assim, concluir este mapa é um triunfo da ciência paciente e colaborativa, e um lembrete de quanto podemos aprender sobre nosso lugar no universo quando milhares de mentes curiosas trabalham juntas.