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MIT ensina simetria à IA para obter imagens cerebrais mais nítidas de bebés que se mexem no útero

Investigadores do MIT, do Hospital Pediátrico de Boston e do Inria criaram o E(3)-Pose, um modelo de aprendizagem profunda que usa a simetria esquerda-direita da cabeça do feto para seguir os seus movimentos durante a ressonância magnética, permitindo ajustar o exame e obter imagens 3D de melhor qualidade.

Inteligência ArtificialEquipe Editorial GNGV4 min leituraRevisado em 26 de outubro de 2026

Foto: GeorgeWilliams21 / Wikimedia Commons (abre em nova aba) · CC BY-SA 4.0

A ressonância magnética pode mostrar com grande pormenor o cérebro de um bebé em desenvolvimento, mas há um problema: os bebés mexem-se no útero. Quando o feto se mexe durante o exame, as finas fatias bidimensionais que compõem a imagem 3D podem acabar por ser captadas de ângulos diferentes, deixando falhas e orientações estranhas que tornam mais fácil não detetar anomalias. Investigadores do MIT desenvolveram um sistema de IA concebido para acompanhar esses movimentos.

O modelo, chamado E(3)-Pose, foi apresentado pelo MIT News a 19 de outubro de 2026 e na Conferência Europeia de Visão Computacional de 2026. Segue o movimento da cabeça do feto durante a ressonância para que o aparelho ajuste as fatias que capta e produza uma imagem 3D de maior resolução para os radiologistas. A equipa espera assim reduzir diagnósticos falhados ou incorretos de anomalias cerebrais fetais e poupar as famílias a novas idas ao hospital.

A ideia central é incorporar na IA conhecimento sobre o corpo, em vez de a obrigar a aprender tudo a partir dos dados. O E(3)-Pose integra na sua arquitetura a simetria esquerda-direita da cabeça do feto, o que o ajuda a perceber a orientação do cérebro mesmo quando as fatias chegam em ângulos invulgares. "Um dos problemas de o bebé se mexer é que as fatias ficam todas desencontradas", explicou a primeira autora, Ramya Muthukrishnan, doutoranda do MIT no laboratório de Polina Golland. "O trabalho da Ramya combina de forma elegante conceitos geométricos como a equivariância e a simetria com o poder da aprendizagem profunda", afirmou Golland, uma das pessoas que supervisionaram o estudo.

O projeto juntou o MIT, o Hospital Pediátrico de Boston e o instituto de investigação francês Inria. Borjan Gagoski, do Hospital Pediátrico de Boston e da Faculdade de Medicina de Harvard, desenvolveu a sequência de imagem usada para obter exames adicionais para o treino, e Aryn Lee, assistente de investigação, recrutou grávidas voluntárias. Ellen Grant, que dirige o centro de neuroimagem fetal e neonatal do Hospital Pediátrico de Boston e também supervisionou o trabalho, disse que a abordagem pode ajudar a automatizar a ressonância cerebral fetal, "substituindo o processo manual e lento de hoje por exames mais rápidos e confortáveis para as mães".

Trata-se de investigação e ainda não de prática clínica corrente. O MIT News não apresenta números de precisão, o modelo foi treinado sobretudo com fetos no terceiro trimestre e pô-lo a funcionar no aparelho foi difícil, com falhas repetidas durante o desenvolvimento. O próximo objetivo da equipa é lidar com fetos mais novos, que se mexem ainda mais. Se resultar, os futuros pais poderão um dia enfrentar menos exames repetidos e obter respostas mais claras.

Por que importa

Imagens cerebrais fetais mais nítidas e fiáveis podem significar menos diagnósticos falhados e menos consultas repetidas e stressantes para as famílias à espera de um bebé.

Fontes

O que você pode fazer

Leia o artigo completo do MIT News para saber como funciona o sistema; para dúvidas sobre exames pré-natais, fale com a sua equipa de saúde.

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