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Um único químico barato permite reciclar acrílico a metade da temperatura habitual

Químicos da ETH Zurique descobriram uma forma, sem solventes, de decompor o acrílico nos seus componentes a pouco mais de 200 °C, recuperando até 98% em monómeros suficientemente puros para fabricar material novo com a qualidade original.

InovaçãoEquipe Editorial GNGV4 min leituraRevisado em 26 de outubro de 2026

Foto: Jesse Collins / Unsplash (abre em nova aba) · Unsplash License

O acrílico está em todo o lado, das janelas e mobiliário aos farolins traseiros dos carros, e é muitas vezes vendido com a marca Plexiglas. Reciclá-lo de volta a material de alta qualidade tem sido difícil e exigente em energia. Agora, químicos da ETH Zurique apresentaram um método que pode tornar isso muito mais fácil: um único químico barato e disponível no mercado que liberta os componentes do plástico a cerca de metade da temperatura habitual.

O trabalho, publicado na Nature Chemistry, vem do grupo de Athina Anastasaki, especialista em ciência de materiais, com Richard Whitfield na autoria principal, e contou com Tae-Lim Choi e Gunnar Jeschke, docentes de Química, que ajudaram a procurar o reagente certo. A equipa descobriu que adicionar um único composto de N-hidroxi-imida ao acrílico desencadeia a despolimerização, ou seja, a decomposição das longas cadeias do polímero nos monómeros originais. Depois de iniciada, a reação avança sozinha e não precisa de solventes.

Os números impressionam. A decomposição começa a pouco mais de 200 °C, quando os métodos anteriores exigiam pelo menos 400 °C, e a pirólise, usada noutras formas de reciclagem química, também funciona normalmente acima dos 400 °C. O rendimento em monómeros pode chegar aos 98% e os monómeros recuperados são muito puros, mesmo quando o acrílico de partida tem corantes ou impurezas. Em comparação, segundo a ETH, os monómeros obtidos por pirólise podem ter até 3% de impurezas. Os componentes recuperados permitem fabricar acrílico novo com a mesma qualidade do original.

"O que torna a nossa nova abordagem tão entusiasmante é a sua simplicidade", afirmou Whitfield. Anastasaki acrescentou: "A única coisa que nos surpreendeu foi que um único químico bastasse mesmo para a reação." Como o processo funciona com as infraestruturas e os processos existentes, as empresas não precisariam de remodelações dispendiosas, e a ETH refere que a indústria química já mostrou interesse.

Para já, trata-se de um resultado de laboratório. A ETH Zurique apresentou um pedido de patente e procura licenciados, e os próximos passos da equipa são aumentar a escala do método, estudar a reação em mais pormenor e desenvolver substâncias que a acelerem e melhorem o rendimento. Os investigadores querem também aplicar o mesmo princípio ao poliestireno, o que, se resultar, poderá alargar o impacto muito para além do acrílico.

Por que importa

Transformar acrílico usado em componentes puros com menos calor e com o equipamento existente pode tornar economicamente viável a verdadeira reciclagem em circuito fechado deste plástico comum.

Fontes

O que você pode fazer

Leia o anúncio da ETH Zurique e leve objetos velhos de acrílico a um ponto de recolha que aceite plásticos rígidos, em vez de os deitar fora.

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