Químicos de Oak Ridge transformam o plástico polietileno em combustível semelhante à gasolina abaixo de 200 °C
Pesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos EUA, usaram sais fundidos baratos à base de alumínio para decompor o polietileno em combustíveis semelhantes à gasolina e ao diesel em temperaturas moderadas, sem metais preciosos, solventes orgânicos ou hidrogênio adicional.
InovaçãoEquipe Editorial GNGV5 min leitura

O polietileno está em toda parte: sacolas, embalagens de alimentos, tábuas de corte brancas. Ele também é um dos plásticos mais difíceis de tratar quando vira lixo. Cientistas do Laboratório Nacional de Oak Ridge (ORNL), do Departamento de Energia dos EUA, no Tennessee, relataram uma forma surpreendentemente simples de transformá-lo em algo útil: combustíveis líquidos semelhantes à gasolina e ao diesel.
O método, publicado no Journal of the American Chemical Society e destacado pelo ORNL em setembro de 2026, usa sais fundidos que contêm cloreto de alumínio. Os sais funcionam ao mesmo tempo como solvente e catalisador. Pontos de alumínio com carga elétrica no material fundido são fortemente ácidos e cortam as longas cadeias moleculares do polietileno em hidrocarbonetos mais curtos. A reação acontece abaixo de 200 graus Celsius, bem menos que os 450 a 500 graus típicos da pirólise, e gerou um rendimento de cerca de 60% em gasolina. Cadeias de polímero mais simples tendiam a produzir compostos semelhantes à gasolina, e as mais complexas, combustíveis semelhantes ao diesel.
“Ao contrário das técnicas tradicionais de conversão de polímeros em combustível, o novo processo não exigiu catalisadores de metais nobres, solventes orgânicos nem hidrogênio externo”, afirmou Zhenzhen Yang, cientista do ORNL que divide a coordenação do estudo com Sheng Dai. Liqi Qiu, que faz pós-doutorado na Universidade do Tennessee em Knoxville e foi responsável pela maior parte dos experimentos, destacou a economia: “A matéria-prima polimérica é abundante no lixo de consumo, e nosso sistema catalisador, os sais fundidos de alumínio, é muito barato.” Sheng Dai, Corporate Fellow do ORNL, acrescentou que o sistema é estável, o que pode torná-lo “radicalmente mais fácil de ampliar”.
A equipe usou espalhamento de nêutrons na Spallation Neutron Source, difração de raios X, ressonância magnética nuclear e simulações de computador para entender como a química funciona. A pesquisa teve apoio do Escritório de Ciência do Departamento de Energia.
Há obstáculos antes de qualquer uso comercial. Os sais à base de alumínio são higroscópicos, ou seja, absorvem água e perdem estabilidade, e a equipe pretende estudar formas de confiná-los para melhorar a separação e o processamento. Transformar plástico em combustível também não substitui reduzir e reutilizar o plástico. Mas uma rota barata e de baixa temperatura que converte um resíduo teimoso em um produto valioso é um reforço promissor para a caixa de ferramentas da reciclagem.
Por que importa
O polietileno é um dos plásticos mais comuns no lixo; uma forma barata e de baixa temperatura de transformá-lo em combustível pode tornar sua recuperação mais vantajosa do que enterrá-lo ou queimá-lo.
Fontes
O que você pode fazer
Reduza o uso de sacolas e embalagens plásticas descartáveis e siga as regras locais para reciclar plásticos flexíveis; saiba mais na fonte do ORNL.