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Arqueólogos de geleiras da Noruega recuperam 48 flechas pré-históricas, algumas com até 6.000 anos

Em sua 20ª temporada, o programa norueguês Secrets of the Ice recuperou 48 flechas pré-históricas de manchas de gelo nas montanhas de Jotunheimen, incluindo pontas da Idade da Pedra feitas de ardósia, osso e concha de mexilhão. As descobertas são um tesouro científico, mas a equipe alerta que só aparecem porque o gelo está desaparecendo rapidamente.

CiênciaEquipe Editorial GNGV4 min leituraRevisado em 12 de outubro de 2026

Foto: Jan-Tore Egge / Wikimedia Commons (abre em nova aba) · CC BY-SA 4.0

Arqueólogos que trabalham no alto das montanhas de Jotunheimen, na Noruega, tiveram o que chamam de "ano das flechas". Em relatório publicado em 23 de setembro, o Programa de Arqueologia Glacial de Innlandet, conhecido como Secrets of the Ice, informou que sua equipe recuperou 48 flechas pré-históricas do gelo em derretimento nesta temporada, após três semanas intensas de trabalho de campo na borda do gelo.

As peças vieram de três manchas de gelo em Kvitingskjølen: Langfonne, Storfonne e Handklefonne. Entre elas estão uma ponta de ardósia com cerca de 5.000 anos, uma flecha com ponta de ardósia e haste de madeira datada de aproximadamente 5.000 a 6.000 anos, uma ponta de osso de cerca de 5.000 anos e uma frágil ponta feita de concha de mexilhão de água doce, com cerca de 3.600 anos. A equipe também encontrou a parte traseira de uma haste de 3.600 anos ainda amarrada com tendão animal e casca de bétula, além de uma flecha completa com ponta de osso e haste de madeira de cerca de 1.800 anos.

O gelo preserva materiais que normalmente apodrecem, como madeira, couro, tendões e tecidos, e por isso esses sítios são tão valiosos. Em 20 anos de trabalho desde 2006, o programa registrou 73 sítios arqueológicos e recuperou mais de 5.000 artefatos, incluindo arcos, roupas, sapatos e outros vestígios da caça à rena. No início, a maioria das peças tinha menos de 2.000 anos e muitas eram da Era Viking; hoje, muitas datam da Idade do Bronze e da Idade da Pedra, e as mais antigas passam de 6.000 anos. Como resume a equipe, "o gelo mais antigo guarda os achados mais antigos".

A boa notícia vem com um alerta claro. "O gelo está desaparecendo muito mais rápido do que esperávamos", escrevem os pesquisadores. Langfonne se dividiu em várias manchas menores desde 2006 e provavelmente terá sumido em 20 anos, e os objetos se deterioram rapidamente depois de expostos, por isso cada temporada de campo conta.

Algumas descobertas chegam ao público em poucos dias: são exibidas numa vitrine refrigerada de "achados frescos" no Centro Norueguês da Montanha, em Lom, enquanto as demais são documentadas e preparadas para pesquisa e conservação.

Por que importa

Objetos orgânicos como hastes de flecha de madeira quase nunca sobrevivem milhares de anos, por isso essas peças oferecem provas raras e diretas de como povos da Idade da Pedra e do Bronze caçavam nas montanhas.

Fontes

O que você pode fazer

Leia o relatório completo e veja as fotos no site Secrets of the Ice ou, se estiver na região, visite a vitrine de achados no Centro Norueguês da Montanha, em Lom.

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