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Aprendizado de máquina analisou 50 milhões de compostos para achar odores que afastam abelhas de pesticidas com segurança

Cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside treinaram um modelo de aprendizado de máquina com dados de comportamento de abelhas e química de odores, encontraram cerca de 130 repelentes candidatos e mostraram em testes de campo que sete deles afastaram de forma confiável as abelhas em busca de alimento, sem prejudicá-las.

Inteligência ArtificialEquipe Editorial GNGV4 min leituraRevisado em 28 de setembro de 2026

Foto: Emman Asuncion Foronda / Wikimedia Commons (abre em nova aba) · CC BY-SA 4.0

As abelhas melíferas polinizam muitas das plantações que nos alimentam, mas nas fazendas podem voar direto para campos pulverizados com pesticidas que as prejudicam. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside usaram aprendizado de máquina para encontrar uma forma mais gentil de protegê-las: odores que as abelhas simplesmente preferem evitar.

O estudo, publicado na revista eLife em setembro de 2026, foi liderado por Anandasankar Ray, docente de biologia molecular, celular e de sistemas, com Boris Baer, docente de entomologia. As abelhas dependem muito do olfato para encontrar flores, e seu sistema olfativo tem mais de 200 receptores de odor. Muitos trabalhos anteriores usaram cheiros para atrair insetos. “Nosso objetivo era inverter essa lógica e encontrar uma forma de usar o cheiro como dissuasor, com segurança e eficácia”, disse Ray.

A equipe treinou um modelo de aprendizado de máquina com dois tipos de informação: as estruturas químicas das moléculas de odor e respostas comportamentais já registradas de abelhas e moscas-das-frutas. O modelo foi refinado várias vezes com novos dados de laboratório. Em seguida, analisou mais de 50 milhões de compostos e identificou cerca de 130 potenciais repelentes de abelhas. Testes de laboratório confirmaram que as abelhas evitavam os compostos previstos, e sete dos melhores candidatos foram levados a experimentos de campo com abelhas voando livremente. Todos os sete afastaram as abelhas de forma confiável, sem causar danos.

Os pesquisadores veem vários usos possíveis. Aplicados junto com pesticidas, os compostos poderiam reduzir a exposição das abelhas nas lavouras tratadas. Também poderiam ajudar a impedir que abelhas construam colmeias em hospitais, escritórios e casas, ou ajudar a controlar a polinização na produção de frutas sem sementes.

Ainda é uma pesquisa em estágio inicial, e será preciso testar os compostos em fazendas reais e confirmar sua segurança para as pessoas e o meio ambiente. O trabalho foi financiado pela California Research Alliance da BASF, e vários dos cientistas constam como inventores em um pedido de patente pendente; Ray fundou a empresa Sensorygen e tem participação nela. Ainda assim, é um exemplo claro de IA usada para reduzir uma busca gigantesca a um punhado de respostas práticas, neste caso em favor de um dos insetos mais importantes do planeta.

Por que importa

A exposição a pesticidas é uma das pressões sobre as abelhas; uma forma segura de afastá-las de lavouras tratadas poderia proteger os polinizadores sem deixar as plantações desprotegidas.

Fontes

O que você pode fazer

Plante flores amigas das abelhas e evite aplicar pesticidas em plantas floridas no seu jardim; saiba mais sobre o estudo na fonte.

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